Seu cérebro e o amor: uma combinação explosiva!

A neurociência explica por que perdemos a cabeça por amor

 

Ah, o amor… O que ele faz com a cabeça da gente… Parece que surge do nada, súbito, inexplicável, avassalador. Às vezes acontece à primeira vista, em outras com um pouco mais de convivência. Mas sempre avassalador. Uma “bomba” que chacoalha nosso mundo. Deixa a gente sem chão, sem freio, sem ação, sem discernimento… Cada vez que encontramos esse alguém por quem nos apaixonamos, o coração bate tão rápido que parece que vai sair pela boca, o ar parece que não entra nos pulmões, dá um frio na barriga, as mãos suam, as pernas tremem, as palavras faltam. A sensação é de que você não consegue coordenar a própria boca e nem articular os pensamentos. Fala besteiras, gagueja, diz coisas que nunca diria, dá branco, falta assunto, não sabe o que fazer com as mãos…

Por outro lado, mesmo com a sensação de pânico e com a cabeça meio “lesada”, você não queria estar em outro lugar do universo que não fosse ali. Parece que o mundo ao redor parou… Você só consegue prestar atenção na pessoa, na boca dela pronunciando coisas ininteligíveis, nos olhos, no sorriso… Uma sensação de prazer e euforia inunda o corpo e, apesar do desespero, dos pés e mãos frios, das borboletas no estômago, quando esse momento acaba, tudo que você quer é repeti-lo. O mais rápido possível. Para ter novamente aquela sensação maravilhosa. Súbita. Inexplicável. Avassaladora.

Mas por que isso acontece?

 

O cérebro apaixonado

Quando nos apaixonamos, nossos cérebros são ativados em regiões ricas em dopamina, que é chamada de “neurotransmissor do prazer”. A antropóloga e pesquisadora Helen Fisher, que estuda há mais de 30 anos o cérebro de apaixonados, destaca que são duas as principais regiões que aparecem ativadas em procedimentos de escaneamento do cérebro: o núcleo caudado, associado à detecção e expectativa de recompensa e a área tegmental ventral, associada ao prazer, atenção e motivação para buscar recompensas que fica bem no centro do cérebro e é onde se inicia o circuito de recompensa. A dopamina ativa esse circuito, ajudando a tornar o amor uma experiência tão prazerosa que pode ser comparada à euforia associada ao uso de drogas como a cocaína ou álcool. Paixão e descontroleAo nos apaixonarmos, uma série substâncias químicas associadas ao circuito de recompensas inunda nosso cérebro, produzindo respostas físicas e emocionais. Esse circuito também está ligado ao núcleo accumbens e outras estruturas, como a amígdala, o hipocampo e o córtex pré-frontal, que são sensíveis a comportamentos que induzem ao prazer. No “início” do amor, diante da pessoa por quem que estamos apaixonados, nosso corpo entra em estado de alerta e usa os mesmos mecanismos que nossos ancestrais utilizariam para fugir de um tigre, preparando o corpo para luta ou fuga. Então, o coração bate mais rápido, mais glicose é enviada para os músculos para prepará-los pra correr, a pupila dilata para enxergar melhor, a digestão é paralisada para direcionar a energia para outras áreas e dá aquele friozinho na barriga, as mãos e pernas tremem etc. E é aí que ficamos parecendo descontrolados, sem conseguir processar direito o que está acontecendo, agimos sem pensar, metemos os pés pelas mãos, completamente mobilizados por nossas emoções.

Amor e estresse

Acredite, apaixonar-se é estressante! Os níveis do hormônio do estresse, chamado cortisol, aumentam muito durante a fase inicial do amor e, à medida que isso acontece os níveis de serotonina, que é o “neurotransmissor da felicidade e do bem-estar” vai se esgotando. Segundo Richard Schwartz, da Harvard Medical School, baixos níveis de serotonina levam a pensamentos intrusivos, preocupações excessivas, medo e comportamentos obsessivo-compulsivos típicos dos primeiros meses de paixão.

 

O amor cega

A avalanche de emoções provocadas pelo amor faz com que sejamos muito mais regidos por elas do que pela razão. Com forte atuação do sistema límbico, o córtex pré-frontal, responsável pela razão, pelo julgamento, pela crítica, pela tomada de decisão, pelo raciocínio, fica inibido em sua atuação. Isso faz com que não consigamos raciocinar direito, que os pensamentos pareçam desconexos, que percamos a capacidade de fazer avaliações críticas e julgamentos sobre o ser amado (não conseguimos enxergar seus defeitos ou características que não combinam com as nossas), que tenhamos nossa capacidade de tomar boas decisões afetada. Sabe aquela história de “nossa, como eu não percebi que ele era desse jeito?”, ela acontece justamente pela baixa atuação do pré-frontal.

 

Mais apego

Mas, obviamente, nem de estresse e descontrole vive o amor. Pelo contrário, o clima de paixão também libera outras substâncias como a ocitocina e a vasopressina, que são hormônios que influenciam na gravidez, na amamentação, especialmente para criar o apego entre mãe e filho. E essas substâncias também são liberadas em um abraço, carinho e durante o sexo e aprofunda os sentimentos de apego entre os casais, isso explica porque muitos deles se sentem mais próximos depois de fazer sexo, por exemplo. A ocitocina é chamada de “hormônio do amor” e provoca sensação de segurança, calma e contentamento. E cria o apego, o vínculo, fortalecendo as relações.

 

Amor pra sempre

Já ouviu dizer que a paixão acaba e se transforma em amor? Muitas teorias mais antigas diziam haver uma mudança inevitável da paixão para um amor mais tranquilo, compassivo, mais profundo e não tão eufórico. Mas um estudo de Fischer descobriu que é possível se manter loucamente apaixonado por alguém mesmo depois de décadas de casamento, casais pesquisados que viveram muitos anos juntos tinham a mesma quantidade de dopamina no cérebro que recém-apaixonados. O estudo mostra que o que se vai é o estresse, a apreensão, enquanto a confiança cresce, mas a excitação e o apego permanecem. E Fischer dá uma dica: a atividade sexual é uma maneira de aumentar os níveis de ocitocina e ativar o circuito de recompensa do cérebro, fazendo com que casais se desejem mais e queiram se manter juntos. Sexo gera apego! É claro que amor é bem mais que sexo, tem a construção diária de uma relação, a confiança, a amizade, o companheirismo, os objetivos em comum, o querer estar junto e outras tantas coisas que fazem o amor mais forte. E, por outro lado, também o sexo pode ser feito sem apego. Mas é fato comprovado cientificamente: sexo é uma boa maneira fazer o amor durar mais!

 


Aprender neurociência é conhecer a forma como nosso cérebro interpreta o mundo e como as nossas emoções influenciam as nossas reações e nosso comportamento!

Como proporcionar a mudança na vida das pessoas sem entender as bases emocionais do cérebro e os padrões de comportamento?

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