Pesquisadores britânicos investem pesado em neurociência na educação

Seis diferentes pesquisas envolvendo alunos de 3 a 12 anos estão sendo feitas neste momento no Reino Unido para procurar evidências científicas de que os achados da neurociência moderna possam ser realmente aplicáveis às práticas de sala de aula. Esta iniciativa está sendo patrocinada por um fundo de pesquisa oferecido no início do ano pela Wellcome Trust and Education Endowment Foundation. Estes seis projetos receberam 4 milhões de libras para investigar se as prováveis teorias que a neurociência aplicada à educação estão formulando estão realmente corretas.

Conheça os seis projetos:

1) Em Londres, a Birkbeck University está tentando estimular a abstração em  9000 crianças de 3 a 5 anos de diferentes escolas primárias. Eles recebem aulas de quinze minutos sobre conceitos iniciais de matemática e ciência três vezes por semana. Depois são estimuladas a reprimir suas respostas mais imediatas a perguntas feitas a eles e procurarem respostas mais elaboradas e generalizantes. Assim, eles estão tentando fazer com que estas crianças concluam que as células de um elefante e as células de um ratinho são do mesmo tamanho, por exemplo. O professor Denis Mareschal responsável pelo projeto explica: “As crianças geralmente se apressam em dar a resposta mais rápida que encontram. Então, se nós os ajudarmos a parar e refletir antes de responder, esta pode ser a chave para melhorar seu entendimento sobre conceitos importantes em ciências e matemática que geralmente estão bem distantes do óbvio”.

2) Nos arredores de Sheffield, A Queen’s University está verificando se resultados prévios obtidos anteriormente com estudantes de Medicina e alunos primários se repetem. Em 2250 alunos está sendo testado o aprendizado espaçado. Nestes experimentos, conteúdos são apresentados com 10 min a até mais de um dia de intervalo entre as apresentações. Existem evidências neurocientíficas fortes de que a ativação de conexões neurais é mais fortalecida se ela for intercalada com períodos de inatividade.

3) A noção de que recompensas incertas podem ser estímulos mais potentes do que receber uma premiação já esperada levaram os pesquisadores a colocarem 12.150 alunos para participarem da “Roda da Fortuna”. Nesta iniciativa, os alunos respondem perguntas e depois sorteiam qual será a nota que eles receberão pelo acerto. Dr. Paul Jones, da Bristol University, explica: “os jogos que combinam aprendizado e sorte podem ter efeitos bem dramáticos no aprendizado já que estimulam diretamente o sistema de recompensa cerebral”.

4) Na região de Oxfordshire, 10.500 alunos de 70 escolas estão fazendo 40 minutos de sessões de exercícios aeróbicos três vezes por semana. Os achados de que a plasticidade neuronal é bastante estimulada por este tipo de atividade já são clássicos na neurociência. Sabe-se que há grandes impactos na atenção sustentada e no desenvolvimento tanto da substância cinzenta quanto da substância branca cerebral. A professora Heidi Johansen-Berg, da Oxford University, considera que nossas crianças estão cada vez vivendo vidas mais sedentárias e que isso pode prejudicar seu desenvolvimento cerebral uma vez que já está demonstrado que a atividade física faz bem tanto para o corpo como para o cérebro.

5) Um game digital que ensina crianças a ler usando rimas é a aposta da famosa professora Usha Goswani, diretora do Centro de Neurociencia na Educação. Esta abordagem já foi testada antes em pequena escala e agora está utilizando o apoio da Welcome Trust para testar a efetividade desta forma de apresentar os sons e a correlação deles com as letras. O GraphoGame Rime desenvolvido pela Finnish University está sendo aplicado em 400 crianças.

6) O último dos projetos leva em consideração que o ritmo circadiano dos adolescentes tende a ser um pouco diferente das crianças e que por isso eles podem ter melhor rendimento se as aulas começarem mais tarde. 31.800 alunos estão iniciando as aulas entre as 10 e 11 da manhã. Esta iniciativa leva em consideração que a hora de ir pra cama está sendo cada vez mais tarde e para o rendimento escolar, ir para a escola com sono pode ser desastroso.

Acredito que algumas destas iniciativas tem tudo para dar certo. Especialmente o aprendizado espaçado e a horário ajustado das escolas. Tenho um pouco de receio de darmos recompensas tipo loteria para crianças e acabar despertando um espírito de apostador que pode se tornar um grande problema na vida adulta. Mas a melhor notícia é que já temos pesquisas sendo feitas em larga escala e com grandes investimentos para nos mostrar o que realmente é válido em toda esta avalanche de achismos que estamos mergulhados.

7 Comments

  1.   outubro 10, 2014 at 7:14 PM

    Acho o máximo a adaptação dos horários escolares de acordo com o ritmo circadiano. Além da contribuição no desempenho escolar – os pobres adolescentes vivem reclamando de sono – teríamos um ganho fenomenal nos congestionamentos que se formam nas portas das escolas nos horários de entrada e saída.

  2.   outubro 11, 2014 at 10:53 AM

    Olá, Reinaldo! Eu falo sobre esta possibilidade em todas as minhas palestras. Sou fão número 1 desta ideia! Continue prestigiando e comentando o blog! Um abraço!

  3.   outubro 12, 2014 at 10:33 AM

    Carla,
    também falo nisso há algum tempo, agora disponho de argumentos baseados em evidências.

  4. Rone Lopes
      outubro 13, 2014 at 5:24 AM

    Bom dia, Professora Carla.

    Após o curso que eu fiz, Capacitação Profissional em Neurociência, tenho aplicado o aprendizado nas minhas aulas de inglês. Os resultados tem sido muito grandes e promissores. Continuei pesquisando, estudando e me encontrei com a Aprendizagem Espaçada, aplicada em uma escola da Inglaterra. Tenho um grupo de alunos que, ao adquirir meu curso de inglês, por questão de agenda, optaram por aulas às Segundas feiras, iniciando às 10:00 da manhã, eles receberam bem a ideia da aprendizagem espaçada e gostam bastante. Os benefícios tem sido muito grandes no que se refere à aprendizagem e motivação.

    Muito Obrigado, Professora pela oportunidade.

    Rone Lopes

    Language Coach, Master em PNL, Hipnotista e Neurociência aplicada à Educaçao.

  5.   outubro 13, 2014 at 5:51 PM

    Olá, Rone! Fico muito feliz em saber que continua investindo nesta formação. No final de semana de 07 a 09 de novembro teremos o curso Neurociência Aplicada à Educação. Vou pedir para a Pamela entrar em contato com você!
    Um abraço!

  6.   outubro 13, 2014 at 5:52 PM

    Até o final de 2015 os pesquisadores prometem divulgar os resultados. Vamos esperar que as evidências tornem-se fatos comprovados! Um abraço!

  7.   dezembro 6, 2014 at 12:31 PM

    Olá!!
    Gostaria de ter um contato pessoal com o Senhor e ter mais informações e referencias sobre os projetos citados.
    Trabalho com pesquisas e eventos nessa área.

    Att.

    Patricia Reusing

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