Neurônios conectados quimicamente a músculos

Vamos começar nossa conversa sobre neurociência versão 2015? Espero que seja um ano repleto de realizações para todos nós! Eu estou preparando muitas novidades para os meus amigos neurointeressados. Fique ligado aqui!

O título deste post pode te levar a pensar que vou escrever sobre neurônios que controlam contrações musculares e que podem gerenciar movimentos e comportamentos. Mas a conexão química entre músculos e cérebro sobre a qual quero falar é muito diferente desta óbvia relação!

Eu mesma já escrevi sobre isso aqui neste blog e não fui a primeira nem serei a última a declamar sobre os benefícios do exercício físico para o corpo e a mente. Sabemos que hábitos sedentários são mesmo muito ruins e que uma caminhada diária de 60 minutos pode fazer muita diferença.

Mas os resultados que cientistas suecos conseguiram através de pesquisas em camundongos são dignos de retomar este assunto: foi verificado que a diminuição da concentração de quinurenina conseguida pela sua metabolização em ácido quinurênico pode proteger o cérebro de um efeito muito conhecido que é provocado por estresse crônico: a famigerada depressão (clique aqui para saber mais).

O efeito protetor se deve às fibras musculares treinadas aumentarem a atividade das quinureninas aminotransferases através da ativação da PGC-1alpha1 (não vale a pena entrar no mérito do que isso significa, mas você pode obter mais informações em http://goo.gl/A2K8YS).

Por causa destes resultados, fui pesquisar outras informações sobre este sistema e descobri que, em 2006, pesquisadores gaúchos (brazucas em ação) tinham descrito que o ácido quinurênico era um importante agente protetor do cérebro já que poderia diminuir o metabolismo cerebral, protegendo-o em situações de risco. Foi sugerido até seu uso terapêutico com base em resultados no modelo de depressão alastrante (leia em http://goo.gl/XQ5yPe).

Resumindo para não ficar chato: seus músculos quando treinados podem proteger seu cérebro contra agentes que são tóxicos para ele e que são produzidos quando o sistema está enfrentando algum desafio adaptativo. Em outras palavras: músculos desenvolvidos e treinados significam preparo e adaptação. Assim, podemos pensar que o seu cérebro sabe quando seu corpo está vencendo os desafios. Este é só mais um dos sinais disso!

O que você está esperando? Cumpra sua meta de exercitar-se em 2015. Mexa-se!!!

8 Comments

  1.   janeiro 6, 2015 at 8:25 PM

    Voltar pra prática esportiva está na minha agenda 2015! Thanks Carla Tieppo!!!

  2. Pamela
      janeiro 7, 2015 at 9:41 AM

    Manter-se ativo é importante não somente pelo lado psicológico, mas para prevenir problemas como as dores na coluna. Incrível como não sinto mais nada depois de criar esta rotina!
    Os efeitos são imediatos e isso causa uma sensação fora do comum!

    Obrigada por compartilhar seus conhecimentos Dra. Carla Tieppo 😉

    Beijos!

  3.   janeiro 7, 2015 at 2:05 PM

    Há impactos realmente surpreendentes que a rotina da prática esportiva pode trazer. O duro é que as pessoas não dão tempo ao tempo para que os efeitos sejam sentidos e acreditam muito no prazer como caminho único para a felicidade. Fico feliz que você esteja incorporando hábitos mentalmente saudáveis à sua vida! Um grande beijo! Parabéns!

  4.   janeiro 7, 2015 at 2:06 PM

    Faça isso! Os benefícios são incalculáveis! Feliz 2015! Um grande abraço!

  5.   janeiro 7, 2015 at 2:08 PM

    Fico muito feliz com esse seu depoimento! Invista firme na construção da sua felicidade e não acredite no caminho fácil do prazer imediato. Escolha o caminho interessante do desafio constante! Um beijão!

  6. Adriana Vilhena Townson
      janeiro 19, 2015 at 4:58 PM

    Carla Tieppo, cheguei a Inédita numa busca pelo seu nome no Google, após uma lida a sua entrevista a Exame.com.
    Tenho certeza que a importância dos exercícios ao corpo e mente é fundamental. Mas a minha dúvida é até que ponto é possível desenvolver ou mesmo recuperar a capacidade da mente após os 50 anos? Falo de alguém sadio mas com o desgaste ocasionado em função de stress.

  7.   janeiro 19, 2015 at 5:15 PM

    Olá, Adriana!

    É um prazer para nós da Inédita recebê-la por aqui. Temos uma enorme capacidade de recuperação quando o assunto é cérebro. Mas, temos também vários inimigos que nos atrapalham muito. Sedentarismo, má alimentação, estresse crônico, má qualidade do sono e falta de motivação. Não há mágica. Precisamos nos envolver cotidianamente num processo de mudança de hábitos. Recuperar a qualidade de vida. E deixar o cérebro lentamente reencontrar seu melhor desempenho. Leitura e exercícios mentais ajudam muito. Pode não alcançar a memória e agilidade mental de uma menina mas vai poder aproveitar muito ainda sua sabedoria. Junte-se a nós no grupo do facebook “Neurociência para Todos” ou acompanhe a fanpage da Inédita ou a minha fanpage pessoal. Um grande abraço!
    Carla Tieppo

  8. Adriana Vilhena Townson
      janeiro 19, 2015 at 5:37 PM

    Carla, agradeço muito a pronta resposta e o “acolhimento” recebido. Com certeza me juntarei aos grupos sugeridos pois, apesar de leiga, o tema me fascina!

    Um forte abraço,

    Adriana

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