Inteligência e ambiente

Ontem, Gilberto Dimenstein na sua coluna na Folha de São Paulo (veja em http://catracalivre.folha.uol.com.br/2011/08/pobreza-emburrece/ ), comentou resultados obtidos em pesquisa que revelam a importância do ambiente no desenvolvimento das habilidades cognitivas. Com certeza, comida e incentivo podem fazer toda a diferença, e ambientes onde estas condições mínimas estão ausentes, o desenvolvimento das capacidades e habilidades fica bem reduzido. Eu iria além dos resultados revelados e diria que mesmo outras habilidades que hoje estão na moda, como inteligência emocional e espiritual, precisam de um ambiente propício para se desenvolverem.

No Chile, alunos do ensino médio e seus pais estão há 90 dias protestando pela manutenção da qualidade do ensino público que fez deste país um potência cultural da América Latina e que está ameaçada por uma reforma em curso. Já em Brasília, um manifesto por qualidade de ensino reuniu uma “multidão” de 100 pessoas, semana passada. Não tem outro remédio: a única forma de desenvolvermos de fato este país é investindo em educação.
O vereador de São Paulo Arcelino Tato conseguiu ver seu projeto de lei, que institui a  Bolsa-Cheche, aprovado pela Câmara. Agora, o prefeito Kassab está fazendo análises técnicas para viabilizar o projeto antes de sancioná-lo. Não preciso de nenhum estudo técnico para afirmar que o dinheiro que será destinado para as cheches acabará caindo na mão de gente mal-intencionada que mantém crianças em condições quaisquer de ensino e cuidado, uma vez que a lei não prevê credenciamento de instituições, fiscalização e nem mesmo pagamento direto ao prestador de serviço. Esse sim, é um jeito fácil, garantidor de votos porém ineficiente de resolver o futuro da inteligência das nossas crianças.

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